Curiosidade | B.K.S. Iyengar e o Violinista: Uma curiosa história por de trás da difusão do Yoga no Ocidente

YehudiMenuhin-Iyengar-yoga-violinoYehudi Menuhin foi um dos maiores violinistas do séc XX. Através dele, o Ocidente conheceu o grande professor de yoga, B.K.S Iyengar. Segundo Menuhin, o Yoga teve um papel fundamental na sua busca da compreensão consciente da mecânica de tocar violino, e ele também chamou B.K.S. Iyengar de “meu melhor professor de violino”.

Enquanto ouve o concerto desse grande violinista, conheça essa incrível história que de um consultório chega na Rainha Elizabeth da Baviera, Rainha dos Belgas, com seus 85 anos querendo aprender a ficar sobre a cabeça…

Em 1951, o violinista Yehudi Menuhin estava sentado no consultório de seu osteopata esperando por sua sessão, quando um pequeno livro de yoga chamou sua atenção. Ele já estava sofrendo de uma variedade de dores musculares e esqueléticas e sua curiosidade o levou a abrir o livro. Ele ficou fascinado pelo conteúdo e sentiu que gostaria de saber mais sobre este assunto.

Menuhin era famoso por seus concertos de caridade em apoio às causas que lhe interessavam. Em 1952, ele foi convidado para ir à Índia por Pandit Jawaharlal Nehru, o primeiro primeiro-ministro da Índia, para dar uma série de concertos. Ele se encontrou com Nehru, pela primeira vez depois de um dos concertos agendados e mencionou o livro que ele tinha lido. Nehru sorriu e imediatamente se atreveu a pedir que Menuhin ficasse sobre sua cabeça. .

Para surpresa de muitos Menuhin realizou a tarefa com sucesso. Este fato apareceu nas manchetes de toda a Índia. Professores de Yoga de todos os cantos tentaram entrar em contato com o violinista prodígio para oferecer-lhe a sua orientação. Menuhin conheceu e teve aulas com um bom número deles, mas nenhum particularmente o impressionou.

Então ele mencionou seu interesse à esposa do Dr. Rustam Vakil. Ela imediatamente o encaminhou para o guru da família, B.K.S. Iyengar. A informação foi enviada a B.K.S. Iyengar, e foram tomadas medidas para que eles se encontrassem. A sessão estendeu-se por três horas e meia à medida que Menuhin começava a se sentir transformado e revitalizado fazendo alguns asanas sob a instrução de B.K.S. Iyengar.

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Quando Menuhin mencionou que sempre se sentia fatigado, nunca podia realmente relaxar e que era incapaz de dormir, em menos de um minuto B.K.S. Iyengar o fez cochilar e roncar suavemente pela primeira vez há dias! Os dois homens formaram uma amizade muito próxima, que durou até a morte de Menuhin 47 anos mais tarde, em 1999.

Em 1954, Menuhin retornou a Mumbai. Ele e B.K.S. Iyengar tinham se correspondido regularmente. Mesmo pelo correio, Menuhin recebera assistência suficiente para que ele se comprometesse como aluno regular. Dessa forma, Menuhin tornou-se um sério e diligente estudante, fazendo da sua prática de yoga uma característica de sua vida.

Com o programa de asanas que B.K.S. Iyengar prescreveu para ele, as dores musculares que Yehudi Menuhin tinha desapareceram completamente. E mais, Menuhin escreveu que “o yoga fez a sua contribuição para a minha busca da compreensão consciente da mecânica de tocar violino”, e ele também chamou B.K.S. Iyengar de “meu melhor professor de violino”.

A agenda de Menuhin estava cheia e não era prático para ele voltar constantemente à Índia para suas aulas de yoga. Então ele convidou B.K.S Iyengar a deixar a Índia com ele como seu professor particular. Uma vantagem seria a de que B.K.S. Iyengar também seria capaz de passar seus ensinamentos a outras pessoas. Iyengar aceitou este convite e viajou com Menuhin à Grã-Bretanha, França e Suíça, dando suas primeiras demonstrações em todos esses lugares.

Iyengar conheceu e ensinou alguns dos artistas e músicos mais famosos do mundo, como os pianistas Sir Clifford Curzons e Kraus Lilli, e a violoncelista Jacqueline du Pré.

Uma pessoa particularmente significativa que B.K.S Iyengar conheceu durante este período foi a rainha Elizabeth da Baviera, Rainha dos Belgas. Ela e seu marido o Rei Alberto I tinham presidido juntos a Bélgica através dos desastres da Primeira Guerra Mundial. A heróica resistência de seu marido levando o Exército belga contra forças superiores alemãs tinha dado aos franceses o tempo suficiente para organizar o que ficou conhecido como “o milagre do Marne”.

Elizabeth da Baviera tinha se destacado na guerra, não só por abrir um hospital de campanha, mas por ter servido nele pessoalmente como enfermeira. Até então nunca se ouvira falar que qualquer membro de qualquer Família Real houvesse cuidado de soldados comuns feridos.

B.K.S. Iyengar foi apresentado à Rainha Elisabeth em 1958, quando ela já estava com 85 anos. Ela queria aprender a ficar sobre sua cabeça e não estava pronta a ouvir um “não” como resposta, dizendo: “se você não pode me ensinar a ficar sobre minha cabeça, você pode sair ‘. Com alguma apreensão e consciente de que a notícia correria, caso a rainha não sobrevivesse à experiência, Iyengar cuidadosamente posicionou seus pés e seu corpo para permitir a possibilidade máxima de sucesso e içou-a sobre sua cabeça. Embora este feito já fora bastante notável, todos em volta estavam mais preocupados se ele conseguiria trazê-la de volta da postura sã e salva.

Rainha Elisabeth ficou tão encantada com Iyengar que ela deu a ele o primeiro dos dois presentes considerados preciosos por ele. O primeiro foi um busto dele que ela esculpiu com suas próprias mãos. Ele apreciou muito o presente, e ao busto seria dado um lugar de destaque no Instituto que ele mais tarde construiu. Em 1965 B.K.S Iyengar estava ensinando em Gstaad, na Suíça, quando recebeu um telefonema de Rainha Elisabeth, então com 92 anos.

Ela tinha acabado de sofrer um acidente vascular cerebral e solicitou a sua presença. Ele voou para a Bélgica imediatamente. Sob sua instrução, ela foi capaz de recuperar uma quantidade respeitável de movimentos. Ela poderia voltar a segurar e a usar um garfo. Ele recebeu o segundo dos “dois grandes presentes que ela me deu”, como ele mencionou mais tarde. A outrora Rainha, aos prantos ergueu a face direita, falou diretamente a ele e ordenou: “Beije-me”. Ele se inclinou para a frente e assim o fez e, quando ela ofereceu a outra face, ele a beijou também. Com as lágrimas rolando agora livremente por seu rosto, a rainha despediu-se de seu Guru indiano pela última vez. A grande dama faleceu logo depois, em 23 de novembro de 1965.

“O ritmo do corpo, a melodia da mente e a harmonia da alma criam a sinfonia da vida.”

B.K.S. Iyengar

Referência da história: http://www.kofibusia.com/iyengarbiography/iyengarbio12.php

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