Prática de Yoga e Meditação: Um elo quase perdido

Pratica de Yoga e Meditacao Um elo quase perdidoUm dos textos tradicionais do hatha yoga, Gheranda Samhita, afirma que existem tantas posturas quanto o número de seres vivos no universo. Mesmo que se trate de uma hipérbole, essa afirmação dá uma bela ênfase à diversidade de posições que um corpo humano pode assumir.

O asana, termo em sânscrito que significa assento e se refere às posturas, é a parte mais visual do yoga e por isso a que chama mais a atenção do público geral que se encanta com sua estética e com seus reconhecidos benefícios físicos. Afinal, quem não quer um corpo saudável, com energia, forte e flexível?

Esse interesse é legítimo. No entanto, a busca desenfreada direcionada a esse objetivo somada a necessidade dos professores em ter alunos acaba fazendo com que um dos propósitos centrais da prática acabe sendo desconsiderado ou no mínimo relegado a segundo plano.

Que é preparar o corpo e a mente para as etapas sutis ou internas como o recolhimento dos sentidos, os respiratórios e a meditação tendo como pano de fundo a proposta do autoconhecimento. Ter isso em mente muda completamente a forma como lidamos com a prática, agrega uma profundidade de sentido sem excluir os benefícios físicos que podem continuar sendo almejados.

Esse distanciamento entre a prática de yoga e meditação é tão grande que muitas pessoas sequer imaginam essa relação. Já fui perguntado se era budista por incluir meditação nas minhas aulas. Isso acontece pelo foco excessivo nas posturas como um fim em si mesmo.

Com o foco no corpo e nas posturas vemos que a prática gira em torno do desafio e do desempenho físicos tendo em vista ganhos em força e flexibilidade. Esses aspectos podem, sim, estar presentes numa aula de yoga, mas não como o centro.

Já num sentido mais amplo e contextualizado, considerando que não somos apenas músculos e ossos descortinamos as outras etapas do yoga onde os asanas meditativos são um bom referencial de progresso e, com isso, assumem um novo status juntamente com a qualidade da respiração e do estado mental. A prática passa a girar em torno da postura sentada e de como nos sentimos nela.

As posições que realizamos entre esses dois momentos promovem mobilidade das pernas e dos quadris, equilibram o corpo físico e o sutil para que a gente possa estar aptos, com o corpo alinhado, a capacidade pulmonar ampliada e a mente disponível para os próximos passos como o pranayama ou a meditação.

Existem, inclusive, várias posturas meditativas que são pouco conhecidas, a elas se referem a famosa definição sobre asana presente no Yoga Sutras que diz que “a postura deve ser firme e confortável”.

Abaixo segue alguns desses asanas meditativos e em seguida apresento dicas essenciais de ajuste que se aplicam para a maioria deles. É uma boa conhecer e experimentar as variações para descobrir a mais adequada para você.

Sukhasana

Swastikasana

Siddhasana

Padmasana

Ardha padmasana

Virasana

Dhyana Virasana

Vajrasana

Sukhasana na cadeira

No vídeo que você pode acessar clicando na imagem abaixo você verá a demonstração dessas bases meditativas.Se você sentiu falta de alguma opção deitada, isso é porque na meditação a frequência cerebral se aproxima da do sono, ficar sentado ajuda a conservar um estado de atenção fundamental para que a meditação não se transforme num cochilo.

Ajustes no asana meditativo

Para se ajustar num asana meditativo é fundamental tomar consciência do contato com o chão ou com o apoio para os quadris, sabendo que os ísquios são os pontos que fazem o contato principal com a superfície.

É muito importante também se atentar para a distribuição do peso do tronco percebendo a capacidade de gerenciar o centro de gravidade através da sua inclinação.

O ajuste do quadril e a ativação do tônus abdominal são o pulo do gato para uma permanência mais prolongada. O quadril faz um movimento chamado de báscula, que conhecemos como as posições extremas: “empinar o cóccix” e “encaixar o quadril”.

Primeiro fazemos a chamada anteversão, empinando o cóccix e em seguida numa leve retroversão, encaixando parcialmente o quadril contraímos um pouco a região abaixo do umbigo, isso gera uma percepção de crescimento do tronco. Ao mesmo tempo projetamos suavemente os ombros para trás e para baixo de modo que eles ficam abertos e relaxados enquanto o pescoço fica alongado com o queixo paralelo ao chão.

Dessa forma os músculos das costas não ficam sobrecarregados. Esses ajustes funcionam em praticamente todas as posturas apresentadas e não só para meditação, também se aplicam ao seu dia-a-dia ainda mais se você trabalha muito tempo sentado. Experimente.

Para concluir sugiro a adoção e utilização de uma dessas posturas meditativas no início e no final de sua prática bem como na hora da realização das técnicas respiratórias e da meditação verificando como ela se tornará, cada vez mais, firme e confortável.

Boa prática!
Om Tat Sat
Gilberto Schulz

Gilberto Schulz tem formação técnica em yoga pela ABPY e participação em cursos no Brasil e na Índia com professores de referência da tradição do yoga.

 

Se gostou dessas orientações, provavelmente vai se interessar também por uma sequência simples e acessível elaborada e apresentada pelo professor Gilberto Schulz com o foco nesse propósito central, a conquista de uma base física firme e estável e uma mente menos agitada convidativa para a meditação. Acesse o vídeo no YouTube, salve o link e reserve 15 minutos para experimentar.

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Uma resposta para “Prática de Yoga e Meditação: Um elo quase perdido

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