Vegetarianismo no contexto do Yoga

É curioso escrever aqui sobre esse tema. Parei de consumir qualquer tipo de carne antes de conhecer o yoga por recomendação de um dermatologista e só depois soube que isso tinha um nome: vegetarianismo.

Isso já faz uns 20 anos. Ao conhecer o yoga, essa escolha passou a ter também um embasamento filosófico que possivelmente foi responsável para que eu mantivesse essa decisão até hoje.

Particularmente não tive dificuldades nem complicações nesse processo. Essa mudança só contribuiu para que minha vida melhorasse a começar pelo fim das acnes que tanto me afligiam e também por me deixar mais disposto.

Antes de prosseguir, adianto que não pretendo fazer desse artigo uma defesa científica ou dogmática do vegetarianismo, também não vou segmentar os tipos de dieta vegetariana, ovo-lacto, veganismo etc.

A histórica relação entre vegetarianismo e yoga

Tampouco quero dar a entender que para praticar yoga seja necessário seguir essa dieta, não é, mas existe uma relação oportuna que é pouco abordada apesar de muito pertinente e interessante.

A começar pelo fato do yoga e do vegetarianismo terem um berço em comum, a Civilização do Vale do Indo que surpreendentemente, há mais de 3 mil anos atrás, tratou de forma bem abrangente a questão da não-violência.

Eles estenderam a aplicação ética a todos os seres, na verdade, a todos os elementos do mundo, dos animais aos rios. Para entender melhor essa questão sugiro a leitura do artigo Valores éticos no Yoga

Não violência e o poder de escolha

E esse é, então, o argumento básico do vegetarianismo no contexto do yoga, em outras palavras, pôr em prática o valor da não-violência, chamado em sânscrito de ahimsá.

Mais que isso, se trata de exercer nossa capacidade de escolha a partir de um entendimento novo. Comer carne na nossa sociedade não foi algo que em algum momento escolhemos.

Não houve uma decisão deliberada, tampouco uma reflexão. Como o yoga propõe um caminho de liberdade, é importante se deparar com a possibilidade de fazer escolhas ao invés de agir de forma programada.

Mesmo que a sua decisão final seja seguir comendo carne como sempre fez, encarar essa reflexão é algo extremamente benéfico pois nos coloca diante do que podemos chamar de livre arbítrio.

Sobre rodeios argumentativos

Ah, mas a alface também é um ser vivo. Sim, mas a percepção de sofrimento de uma vaca ou de um porco, diferentemente da alface, é gritantemente percebida por nós.

Da mesma forma que eu não gostaria de me tornar o jantar de um ser “superior” a mim, não me agrada a idéia de fazer isso com os animais.

Mas vale dizer que essa questão está além de simplesmente comer ou não comer carne. Se você come carne não é um pecador para o yoga.

Eu mesmo diante de uma necessidade real comeria carne, estamos falando de valores, atitudes e de escolhas. Não de necessidades, desculpas ou impossibilidades.

Por isso também não vale falar da necessidade da carne pela proteína. Essa alegação não é uma verdade absoluta. De qualquer forma, sempre recomendo o acompanhamento de um(a) nutricionista.

Caso essa leitura desperte algum apreço por essa questão, experimente abrir mão da carne por um tempo determinado para fazer uma experiência e ver como reage fisiológica e psicologicamente.

Há um movimento, Free Monday, difundido por um famoso yogi, Paul McCartney, que incentiva o não consumo de carne nas segundas-feira, aderir a essa ação coletiva pode ser uma boa.

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Além da não-violência

Além da não violência existem uma série de argumentos favoráveis a uma dieta sem carne, inclusive do ponto de vista nutricional no sentido de promover uma vida mais saudável e também sob um prisma maior, da preservação do meio ambiente.

A propósito, apesar de comermos alface, ahimsá, a não violência envolve também o cuidado pelas plantas e pela natureza além, é claro, da forma como nos relacionamos com os outros seres humanos.

Mas não se trata apenas de dar bom dia ao porteiro, namaste para os amigos, não usar canudinho de plástico e se tornar vegetariano ou vegano.

Os valores éticos no yoga envolvem o desafio de se conquistar uma coerência interna além das aparências tendo em vista uma clareza que nos permite avançar na direção de quem somos e do que buscamos.

Abraço e harih om!
Por Gilberto Schulz

Gilberto Schulz tem formação técnica em yoga pela ABPY e participação em cursos no Brasil e na Índia com professores de referência da tradição do yoga.
Atua há mais de 10 anos ensinando yoga e meditação

Está no Rio de Janeiro? Já pensou em aprender a praticar yoga e a meditar na sua casa ou ambiente de trabalho com técnicas mais apropriadas para você? Confira o programa de prática desenvolvido pelo Gilberto clicando na imagem abaixo

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Uma resposta para “Vegetarianismo no contexto do Yoga

  1. Eu nunca comi carne,não vou dizer que nasci vegana ,pois consumia leites e derivados,mas desde bebê minha mãe diz que quando me dava,qualquer tipo de carne eu cuspia.

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