Yoga como um modo de vida

POR GILBERTO SCHULZ

yoga-como-modo-de-vida-yoga-em-casa-particular-gilberto-schulzO fato do yoga ser um modo de vida não significa que realizamos posturas por todos os lugares que passamos. Nem que mantemos um semblante de paisagem contínuo, sem expressar emoções, passivos diante de quaisquer circunstâncias. Também não significa que devemos conservar um estado permanente de concentração. Tampouco tem a ver com o uso de roupas indianas ou falar sempre que possível namaste, gratidão, paz, luz etc.

É claro que podemos realizar uma postura num lugar bonito, usar roupa indiana e falar namaste. Porém, quando nos referimos ao yoga como um estilo de vida, o que está mais em jogo é, por um lado, viver através de escolhas conscientes baseadas num exercício de discernimento sobre objetivos e valores ao invés de meramente seguir nossos gostos e aversões. E pelo outro, uma atitude flexível ao lidar com as mais variadas pressões internas e externas que se apresentam diante de nós nesse processo.

Com a prática de yoga – além de estimularmos o bom funcionamento dos sistemas do corpo denso, de equilibrarmos o fluxo energético e de aquietarmos o fluxo de pensamentos – direcionamos a atenção para nós mesmos, observamos a relação entre nossas expectativas e capacidades desenvolvendo, assim, uma certa objetividade e consciência dos próprios atos que se aplicará também nas ações cotidianas.

Yoga não se restringe apenas a prática de posturas e técnicas respiratórias, no ocidente costuma ser um válido ponto de partida, que, na verdade, é apenas um dos pilares do yoga enquanto estilo de vida que começa a se estabelecer quando relacionamos o que é aprendido e desenvolvido na prática com a nossa vida. E vai se consolidando ao iniciarmos os estudos dos textos fundamentais que revelam uma visão clara das buscas humanas e da nossa relação com o Todo.

Ao longo dessa estrada que incluirá também disciplinas, contribuições sociais e meditações, a proposta central é que nos tornemos karma-yogis, ou seja, um yogi em cada ação. De modo que cada pequena ação passe a ter como base uma atitude de reverência a esse Todo que nos inclui e cada cenário que se apresenta diante de nós, fruto de nossas ações, seja recebido como um presente dessa Ordem. Dessa forma, viver se torna sagrado em cada momento, até nos piores.

Seguindo por esse caminho, posso dizer que essa porta que se abre com a prática das posturas e das técnicas respiratórias revela um tesouro cujo brilho ilumina todas as áreas da nossa vida e vai mudando nossa perspectiva diante dela, evidenciando uma liberdade interna que nos permite apreciar com profundidade e leveza todos momentos.

Ainda assim, conservamos nossa humanidade, nossa atenção não se tornará continuamente plena, os automatismos e a natureza dispersiva da mente tem sua razão e utilidade. Tampouco ficaremos dotados de controle absoluto sobre nossas emoções, elas também fazem parte da condição de ser humano e dessa Ordem que passamos a apreciar. Podemos sentir medo, raiva, tristeza etc. Afinal de contas, o yoga nos leva a confrontar nosso inimigo mais poderoso: as concepções equivocadas que nutrimos sobre nós mesmos. E isso não é fácil.

O que podemos manifestar levando uma vida de yoga é justamente a conquista de uma capacidade de lidar melhor com os efeitos desses movimentos internos: não reagindo totalmente aos impulsos e aos desejos ou amenizando sua influência sobre nossas ações. Também verificamos a possibilidade de retornar a um estado de equilíbrio mais rápido, assim como de conservar, cada vez mais, esse equilíbrio tanto frente ao sucesso quanto ao fracasso.

Ao longo de uma vida de yoga bem sucedida, que não envolve necessariamente o desempenho em posturas, alcança-se uma satisfação em si mesmo que nos tira da condição de ávidos consumidores de objetos, situações e pessoas. Passamos a desfrutar dos objetos, situações e a compartilhar momentos com as pessoas sem condicionar a eles nossa felicidade.

Harih Om
Gilberto Schulz

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7 Respostas para “Yoga como um modo de vida

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  2. Gostaria de praticar Yoga, mas sou protestante e não gostaria de envolvimento com a parte espiritual da prática, pois estou feliz com minha escolha espiritual. Desculpe se pareço ignorante e sou mesmo. Nada sei sobre Yoga e pra mim sempre foi um entrave qdo me deparo com essas questões. É possível?

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